
A seletividade alimentar está associada a duas topografias: consumo limitado de uma variedade de alimentos e recusa em comer ou mesmo provar novos alimentos. Alguns prejuízos associados à seletividade alimentar são: desnutrição, redução da energia física, problemas gastrointestinais, aumento da rigidez comportamental, limitações sociais e prejuízos na saúde mental dos familiares.
Revisões recentes da literatura demonstram que a seletividade alimentar é maior e mais grave entre crianças com TEA do que em crianças com desenvolvimento neurotípico (Rodrigues et al., 2023;
Zulkifli et al., 2022) e que crianças com TEA exibiram mais inflexibilidade geral, bem como mais inflexibilidade em relacionadas aos alimentos, do que crianças com desenvolvimento neurotípico ou com outros diagnósticos (Williams et al., 2022).
Segundo Marcon-Dawson (2024) um dos marcadores do TEA é a resistência
à mudança. O padrão de resistência à mudança também pode ser encontrado no domínio da alimentação, com a inflexibilidade comportamental indo frequentemente além das limitações de variedade e textura de alimentos, estendendo-se a comer apenas certas marcas de alimentos preferidos, exibindo problemas em comer em ambientes desconhecidos e a insistência em preparações ou apresentações específicas de alimentos.
O Analista do Comportamento pode ajudar das seguintes maneiras:
1) Atuar de modo interdisciplinar com o objetivo de aumentar a qualidade de vida do paciente e de seus familiares;
2) Identificar variáveis que afetam o comportamento de comer;
3) Reduzir a frequência de comportamentos interferentes como, por exemplo, recusar alimentos novos;
4) Aumentar a frequência gradativa de aceitação de novos alimentos;
5) Diminuir/eliminar o caráter aversivo das rotinas alimentares;
6) Treinar familiares na manutenção de alimentos já aceitos pelo paciente;
7) Encaminhar familiares para os devidos tratamentos, caso sejam identificados transtornos depressivos e/ou ansiosos.
Dessa forma, é importante buscar intervenção comportamental ao perceber redução na ingestão de alimentos nutritivos para a criança no intuito de evitar que o caso seja agravado. Segundo Marcon-Dawson (2024), como analistas do comportamento, nossa capacidade de comunicar e cooperar com uma gama de disciplinas otimizará os resultados para os indivíduos e famílias que servimos.
🔹Referências:
Marcon-Dawson, A., & Williams, K. E. (2024). Desafios alimentares em Indivíduos com TEA. In: Sella, A. C., & Ribeiro, D. M. (Ed.). Análise do Comportamento Aplicada ao Transtorno do Espectro Autista. (pp. 321-342). Appris Editora.